Sábado | Conheça história e o percurso da joalheira Maria João Bahia

“Tinha precisamente a sua idade”, disse a joalheira Maria João Bahia, para falar da data em que se lançou no seu próprio negócio. “Apesar de ter começado o curso de ourivesaria em 1981, foi em 1985 que comecei a trabalhar sozinha.” Hoje com uma carreira consolidada, a joalheira nem sempre teve intenções de se dedicar exclusivamente ao design e à criação de jóias. Inicialmente fazia bijuterias, mas o seu foco estava no curso de Direito, que foi suplantado pela paixão de trabalhar numa oficina. “Sou de Lisboa e fui trabalhar para o Porto para aprender as técnicas de repuxar e de cinzelar. Aprendi a trabalhar as peças grandes de decoração no Porto, e a joalharia com gravações em Lisboa.”

A sua primeira oficina foi montada em casa, mas o desejo de ter uma oficina profissional levou-a a mudar-se para a Rua da Madalena, em Lisboa. Alimentou o sonho com paixão e trabalho e foi criando a sua própria identidade criativa. Foi, no entanto, quando o canal de televisão SIC a convidou para criar o troféu dos Globos de Ouro, nos primórdios da cerimónia, que o seu nome começou a ecoar pelo País. Ao GPS admite que esta associação “não limita nada” o seu percurso. “Tive até mais problemas quando comecei a trabalhar e era associada ao meu pai [João Charters de Almeida], que era um escultor muito conhecido, professor nas Belas-Artes com um percurso já feito.”

Actualmente é no número 102 da Avenida da Liberdade que a joalheira pode ser encontrada: a criar na oficina ou com os clientes no escritório, apesar de ressalvar que a primeira parte continua a ser a sua preferida. Ainda assim faz questão de conhecer os clientes e as suas histórias quando se trata de criar peças personalizadas. E há várias maneiras de transpor uma história de amor para uma jóia (a maior parte destes pedidos são para anéis de noivado), seja através da codificação de mensagens ou pelo significado das pedras preciosas que usa. Enquanto os pormenores e os episódios da relação são revelados, Maria João Bahia desenha a peça. Por vezes tem de redireccionar a conversa. “Quantos filhos tem? Em que dia se conheceram? Qual é a cor dos seus olhos?”, são algumas das perguntas mais frequentes para que o resultado final tenha um significado para quem encomenda e quem recebe a jóia.

Na sua assinatura está o trabalho com materiais nobres, o ouro e a prata, mas também pedras preciosas com características fora do comum (“Fiz uma série de peças com diamante em bruto que é uma pedra que não tem a mesma cotação que um diamante lapidado, porque não se sabe o que está lá. É uma pedra com formas fantásticas e reflexos de luz incríveis, que dá para fazer jóias e objectos extraordinários”) e uma linha criativa facilmente identificável: peças coloridas, extravagantes e ostensivas. É nelas que a joalheira se revê. Aliás, confessa que é complicado vendê-las no fim.

Curiosamente, Maria João apenas usa as suas próprias criações. Uma das peças que mais a marcou acabou no seu dedo anelar, quando o marido a comprou em segredo para a pedir em casamento. No seio das mais inusitadas está o pedido excêntrico de um estrangeiro que “me trouxe um par de sapatos velhos. Inicialmente achei que era para lhes arranjar as solas, mas não, ele queria que lhe fizesse as fivelas em ouro, porque tudo o que ele usava com metal tinha de ser transformado em ouro”.

Quando as peças não são encomendadas, é à natureza e às suas formas orgânicas que Maria João vai colher inspiração, que diz também ser necessário exercitar. Não é um processo tão intuitivo quando tem de ser uma constante diária. Por isso, para datas de calendário como o Dia da Mãe, a joalheira lança colecções mais comerciais.

A última grande aposta da marca é a internacionalização. Apesar de a joalheira ter feito exposições no estrangeiro, é agora que vai começar a colher os frutos dessas oportunidades. Ao seu lado tem o filho do meio, João, que se encarrega de gerir o negócio para que Maria João se possa dedicar totalmente à parte criativa. Olhando para o seu percurso de décadas, pensa: “Se calhar podia ter feito mais viagens e exposições lá fora, mas tinha a minha família como prioridade. Agora está na altura de fazer aquilo que quero e que não fiz: dedicar-me totalmente à marca.”

Fonte: Revista Sábado

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