‘A VIDA e a ARTE’

Bem a propósito do Dia da Mulher, recordo aqui uma iniciativa recente na minha loja na Avenida da Liberdade: o encontro com sete amigas para falarmos sobre a importância da Arte nas nossas vidas.
Foi uma primeira experiência bem-sucedida, de reflexão, no âmbito de um projeto que pretendo alargar e repetir no futuro. Marina Coelho, Maria José Costa Félix, Cristina Esteves, Conceição Zagalo, Elsa Roncon, Sophie Civet-Burrus e Sofia Pidwell. Eis o grupo que acedeu prontamente à chamada, sem, na realidade, saberem muito bem que esta minha ideia era algo mais do que um convite para um chá entre amigas. Afinal, com o valioso contributo de todas, a Arte foi abordada em diversas perspetivas.

Ao longo da minha vida, muitas vezes me interroguei sobre o sentido da existência e em particular a missão que me era atribuída e que eu própria teria de cumprir perante os outros.
As experiências pessoais daquele núcleo feminino, reunido em torno de uma chávena de chá, fizeram ressaltar traços individuais e aspetos em comum. Todas transmitiram os seus pontos de vista, cruzados com a própria experiência de vida, profissional, familiar e experiência de mães.
Curiosamente, percebi que à margem de uma discussão sobre o papel da Arte nas nossas vidas, há outras questões que se entrelaçam nos fios da conversa – a maternidade, a família, os filhos, os netos e bisnetos, a realização profissional, o olhar o mundo à nossa volta.

Para Elsa Roncon, economista, que ocupou cargos de relevo ao longo de uma carreira plena de desafios, nas suas próprias palavras, eram as minhas joias, plenamente entendidas como objetos artísticos, que a ajudaram a reforçar o sentimento de confiança num ambiente profissional maioritariamente masculino.
Sofia Pidwell, tal como eu, é uma criadora. Como artista plástica, não entende a vida sem um espaço para a Arte. Se assim não acontecesse, só sobraria a Natureza, hoje, infelizmente, tão ameaçada.
A educação para a Arte ainda não é entendida como fundamental pelos educadores em Portugal. Este caminho, da importância da Arte no dia a dia, está claramente inserido no objetivo profissional de Sophie Civet-Burrus, francesa que adotou o nosso país e se dedica a promover algo que os franceses dominam – l’art de la table – (jantares atípicos organizados em lugares inusitados).
Rosto bem conhecido do público, Cristina Esteves, sempre discreta, na forma como usa as peças de Maria João Bahia no seu quotidiano, sem distraírem a atenção do que transmite oralmente, são todavia um veículo para comunicar uma outra mensagem, quase impercetível – a da feminilidade, sublinhada através de um par de brincos ou um colar. Uma projeção de mim também participa deste diálogo invisível com o telespectador.

Marina Coelho, filha da glória do futebol português Humberto Coelho, conhece bem o mundo da relojoaria e da joalharia, dado que desde há muitos anos trabalha como comunicadora nessa área.
Tanto a relojoaria mecânica como o glamour dos metais nobres e das pedras preciosas não têm segredos para ela. Atualmente dedica-se a promover a internacionalização de marcas de luxo através dos canais das novas tecnologias – uma forma de comunicar que, de acordo com Cristina Esteves, é uma diferente forma de expressão artística.
Exatamente, Cristina, falar é fácil, mas despertar emoções já exige talento! É a nossa lente individual, feita de vivências e aprendizagens, que nos permite apropriarmo-nos das múltiplas formas de arte que nos rodeiam e por elas nutrirmos paixão.

Quantas de nós não dominamos essa Arte de comunicar sem nos apercebemos? – como bem lembrou Maria José Costa Félix. Ex-jornalista e escritora, dedica-se hoje em exclusivo à Astrologia, e vê a Arte como uma forma de estar na vida. Na sua profissão ainda de um modo geral mal compreendida, percorrem-se trilhos para a descoberta do eu interior, como um modo de descobrir o nosso lugar na Vida.
Um outro género de Arte surgiu no novelo da conversa, o da Arte urbana, que atualmente replica por toda Lisboa. Bem observado, Conceição Zagalo, é verdade que a dimensão inclusiva das pinturas (e outras expressões) que se espalham pela cidade e nos surpreende a cada esquina dignificam os espaços outrora desprezados ou votados ao cinzentismo. Há mais vida para além do trabalho, lembrou Conceição, que dedicou quarenta anos à IBM e por fim descobriu uma vocação no voluntariado.
Porque são inquietas, porque concretizaram coisas na vida, porque sonham com Arte, estas mulheres estão na vanguarda.

Privilegiadas que todas nós somos por vivermos rodeadas de expressões de arte!